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Barragem de Cahora Bassa: o gigante energético de Moçambique

Barragem de Cahora Bassa: o gigante energético de Moçambique

A Barragem de Cahora Bassa é uma das maiores obras de engenharia alguma vez construídas em África e representa um dos maiores símbolos do potencial energético de Moçambique. Situada sobre o rio Zambeze, na província de Tete, esta gigantesca infra-estrutura hidroeléctrica marcou profundamente a história política, económica e social da África Austral.

Muito mais do que uma simples barragem, Cahora Bassa tornou-se um centro estratégico de poder regional, envolvendo interesses coloniais portugueses, investimentos sul-africanos, conflitos militares e disputas geopolíticas durante décadas.

Onde está localizada a Barragem de Cahora Bassa?

A barragem localiza-se na província de Tete, no centro-oeste de Moçambique, aproximadamente a 130 quilómetros da cidade de Tete. O empreendimento encontra-se na garganta do rio Zambeze, numa região de difícil acesso conhecida pela sua geografia montanhosa e pelas elevadas temperaturas.

A vila do Songo foi criada como centro operacional e habitacional para trabalhadores, técnicos e engenheiros ligados ao projecto hidroeléctrico.

Localização: Rio Zambeze, Província de Tete, Moçambique.
Tipo: Barragem hidroeléctrica em arco de dupla curvatura.
Importância: Um dos maiores projectos hidroeléctricos de África.

Quem construiu Cahora Bassa?

A construção foi liderada pelo consórcio internacional ZAMCO (Zambeze Consórcio Hidroeléctrico), composto por empresas da África do Sul, Portugal, Alemanha, França e Itália.

Entre as empresas mais importantes destacavam-se:

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O projecto de engenharia foi desenvolvido pela Hidrotécnica Portuguesa, enquanto milhares de trabalhadores moçambicanos e portugueses participaram na construção da obra.

Como foi construída?

A barragem foi construída utilizando a técnica de arco de dupla curvatura em betão, considerada extremamente avançada para a época. O rio Zambeze teve de ser temporariamente desviado para permitir a construção da estrutura principal.

A logística da obra foi extremamente complexa devido à localização isolada da região. Grandes quantidades de maquinaria pesada, cimento, aço e equipamentos eléctricos tiveram de ser transportadas para o local através de longas rotas terrestres.

Durante a construção, a barragem foi fortemente protegida por tropas portuguesas devido aos ataques da FRELIMO, que considerava o projecto um símbolo do colonialismo português.

Porque foi construída?

Os objectivos da construção eram simultaneamente económicos e políticos.

Do ponto de vista económico, o principal objectivo era fornecer energia eléctrica barata à África do Sul, especialmente para alimentar as suas indústrias mineiras e metalúrgicas.

Por outro lado, Portugal pretendia consolidar a sua presença colonial em Moçambique, utilizando Cahora Bassa como símbolo de progresso e domínio territorial.

“Cahora Bassa tornou-se simultaneamente uma obra de engenharia monumental e uma peça central das disputas políticas da África Austral.”

Quando foi construída?

Período Evento
1969 Assinatura do contrato de concessão
1970 Início efectivo da construção
1974 Conclusão da estrutura principal
1975-1979 Entrada gradual das turbinas em funcionamento
2007 Reversão do controlo para Moçambique

A guerra e a sabotagem das linhas eléctricas

Durante a Guerra Civil Moçambicana, Cahora Bassa tornou-se um alvo estratégico. A RENAMO, apoiada pelo regime do Apartheid sul-africano, sabotou repetidamente as linhas de transmissão de alta tensão.

Milhares de torres de transmissão foram destruídas ou danificadas, impedindo a exportação de energia eléctrica para a África do Sul e reduzindo drasticamente as receitas do governo moçambicano.

Paradoxalmente, a própria África do Sul dependia da energia produzida pela barragem, mas preferia limitar o funcionamento do empreendimento a permitir que Moçambique fortalecesse economicamente o governo da FRELIMO.

O financiamento da barragem

O financiamento de Cahora Bassa envolveu governos, bancos europeus e instituições financeiras internacionais.

Grande parte dos fundos veio da África do Sul, França e bancos comerciais europeus. Portugal assumiu garantias financeiras elevadas, o que gerou uma dívida gigantesca ao longo dos anos.

Após longas negociações, Moçambique conseguiu recuperar a maioria das acções da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, num processo conhecido como reversão.

Quem controla Cahora Bassa actualmente?

Actualmente, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa pertence maioritariamente ao Estado moçambicano.

Accionista Participação
Estado Moçambicano Maioria das acções
REN Portugal Participação minoritária
Investidores privados Participação em bolsa
HCB Acções próprias

Importância económica de Cahora Bassa

A barragem continua a ser um dos maiores activos estratégicos de Moçambique. A electricidade produzida abastece o mercado nacional e é exportada para vários países da África Austral.

Além da geração de energia, Cahora Bassa desempenha um papel importante no controlo do caudal do rio Zambeze, na irrigação agrícola e no desenvolvimento industrial da região.

O empreendimento é frequentemente considerado um símbolo do potencial energético moçambicano e uma das maiores conquistas da engenharia no continente africano.

A história da Barragem de Cahora Bassa mistura engenharia, colonialismo, guerra, geopolítica e desenvolvimento económico. O projecto atravessou regimes políticos, conflitos armados e disputas internacionais até tornar-se num dos maiores símbolos da soberania energética de Moçambique.

Décadas depois da sua construção, Cahora Bassa continua a alimentar cidades, indústrias e economias da África Austral, permanecendo como uma das infra-estruturas mais impressionantes do continente africano.


Referências

[1] HCB. Accionistas – Relação com os investidores. Disponível em: https://www.hcb.co.mz/investe-em-hcb

[2] Google Search. Hidroeléctrica de Cahora Bassa estrutura accionista percentagem actual. Maio de 2026.

[3] Wikipédia. Guerra Civil Moçambicana. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Mo%C3%A7ambicana

[4] Isaacman, Allen (2021). Cahora Bassa Dam & the Delusion of Development. Daedalus.

[5] ESMAP. Cahora Bassa | Generation Case Study. Junho de 2010.

[6] Revista Militar. Conflitos Internos – Resolução de…. Disponível em: https://www.revistamilitar.pt/artigopdf/21

[7] ESMAP. Cahora Bassa | Generation Case Study. Página 23.

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