Programa Rede de Pesquisa e Desenvolvimento da Amazônia Legal

Internacionalização Académica

Programa Rede de Pesquisa e Desenvolvimento da Amazônia Legal: O que é e quem pode concorrer?

Análise detalhada do Edital nº 06/2026 da CAPES e as oportunidades reais de financiamento para estudantes e investigadores estrangeiros, incluindo moçambicanos.

| 20 de Julho de 2026 | Tempo de leitura: 5 min
Resumo

O Programa Rede de Pesquisa e Desenvolvimento da Amazônia Legal da CAPES é uma iniciativa institucional voltada para as fundações de pesquisa dos estados da Amazónia brasileira. Investigadores estrangeiros não podem candidatar-se individualmente a este edital, mas existem programas alternativos da CAPES, como o PEC-PG, abertos exclusivamente a cidadãos de países como Moçambique.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), agência de fomento vinculada ao Ministério da Educação do Brasil, tem promovido diversas iniciativas para fortalecer a pós-graduação e a pesquisa no país. Uma das mais recentes e significativas é o Programa Rede de Pesquisa e Desenvolvimento da Amazônia Legal, regulamentado pelo Edital nº 06/2026.

Este programa estratégico visa reduzir as assimetrias regionais no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), com foco na formação, fixação e internacionalização de recursos humanos de alto nível. O objetivo é desenvolver soluções sustentáveis e inclusivas para os desafios da Amazónia Legal brasileira.

Neste artigo, analisamos detalhadamente o funcionamento do programa, os seus eixos estratégicos, as modalidades de financiamento e, de forma crucial, a possibilidade de investigadores estrangeiros, especificamente moçambicanos, participarem nestas iniciativas.

1. Estrutura e Elegibilidade do Programa

O Edital nº 06/2026 possui uma natureza estritamente institucional e regional. Diferente de programas que abrem candidaturas individuais, este edital exige que a submissão de propostas seja feita por entidades específicas com sede na Amazónia Legal.

Apenas as seguintes fundações estatais estão aptas a apresentar propostas:

  • FAPAC (Acre)
  • FAPEAP (Amapá)
  • FAPEAM (Amazonas)
  • FAPEMAT (Mato Grosso)
  • FAPEMA (Maranhão)
  • FAPESPA (Pará)
  • FAPERO (Rondônia)
  • FAPERR (Roraima)
  • FAPT (Tocantins)

Além da exigência de ser uma instituição governamental brasileira, cada rede de pesquisa proposta deve articular, no mínimo, três Programas de Pós-Graduação (PPGs) pertencentes a pelo menos duas Unidades da Federação distintas. As FAPs devem ainda garantir uma contrapartida financeira de pelo menos 20% do valor total investido pela CAPES.

2. Eixos Estratégicos e Financiamento

O programa visa financiar até 36 projetos de pesquisa, com vigência de até 60 meses (cinco anos). O orçamento global estimado é robusto, ultrapassando os 114 milhões de reais, com um teto de financiamento de cerca de R$ 3,19 milhões por projeto.

As propostas devem alinhar-se a um ou mais dos vinte eixos estratégicos desenhados para atender às necessidades específicas da região amazónica. Estes eixos abrangem desde a saúde pública até a preservação ambiental.

Eixos Estratégicos do Programa da Amazónia Legal
Categorias Temáticas Exemplos de Eixos Estratégicos
Meio Ambiente e Sustentabilidade Amazónia Sustentável e Conservação da Biodiversidade; Bioeconomia e Valorização dos Recursos Naturais; Transição Energética e Energias Renováveis.
Saúde e Sociedade Doenças Determinadas Socialmente; Saúde Pública no Norte do Brasil; Segurança Pública e Direitos Humanos; Água Potável e Saneamento.
Desenvolvimento Regional Indústria, Inovação e Infraestrutura; Redução das Desigualdades; Mineração Sustentável e Gestão de Minerais Estratégicos; Formação de Recursos Humanos Qualificados.

O financiamento é distribuído entre a Diretoria de Programas e Bolsas no País (DPB) e a Diretoria de Relações Internacionais (DRI). Os recursos cobrem desde o custeio e equipamento até a concessão de bolsas de estudo e auxílios de pesquisa.

3. Modalidades de Bolsas e Internacionalização

O programa prevê um leque diversificado de bolsas de estudo, tanto no território nacional quanto no exterior. O componente nacional (DPB) financia bolsas de Mestrado, Doutorado, Pós-Doutorado, Professor Visitante no País e Iniciação à Extensão (IEXT), com durações que variam de 24 a 48 meses, dependendo da modalidade.

Bolsas no País

Mestrado, Doutorado, Pós-Doutorado, Professor Visitante e Iniciação à Extensão.

Bolsas no Exterior

Doutorado Sanduíche, Pós-Doutorado Sanduíche, Professor Visitante Júnior e Professor Visitante com destino ao Brasil.

Já o componente internacional (DRI), cuja implementação das bolsas está prevista para iniciar em 2027, foca na mobilidade de pesquisadores e estudantes. As modalidades incluem Doutorado Sanduíche (de 3 a 9 meses), Pós-Doutorado Sanduíche (de 3 a 9 meses), Professor Visitante Júnior no Exterior (até 4 meses) e Professor Visitante com destino ao Brasil (até 4 meses).

É importante ressaltar que, embora o programa promova a internacionalização das Instituições de Ensino Superior (IES) localizadas na Amazónia Legal, as bolsas concedidas no Brasil destinam-se, via de regra, a cidadãos brasileiros, conforme as diretrizes históricas da CAPES para bolsas no país.

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“O objetivo central do programa é reduzir as assimetrias regionais através da formação, fixação e internacionalização de recursos humanos de alto nível.”

4. A Alternativa para Estrangeiros: O Programa PEC-PG

Se o seu interesse é obter financiamento da CAPES para desenvolver o seu mestrado ou doutorado no Brasil, o caminho não é através do edital institucional da Amazónia Legal, mas sim pelo Programa de Estudantes – Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG).

Dica

A CAPES mantém um forte compromisso com a cooperação internacional, especialmente com países lusófonos. Recentemente, a agência lançou o Edital nº 12/2025, dedicado exclusivamente a estudantes estrangeiros. Moçambique integra a lista oficial de países elegíveis para este programa.

O Programa PEC-PG oferece centenas de bolsas (Mestrado e Doutorado) para cidadãos moçambicanos, com valores que podem ultrapassar os R$ 2.100,00 (Mestrado) e R$ 3.100,00 (Doutorado), além de auxílio-saúde mensal.

Candidaturas Abertas para Estrangeiros

Para mais informações e para se candidatar ao programa destinado a estudantes estrangeiros, visite a página oficial da CAPES.

Aceder à Página da CAPES

5. Perguntas Frequentes (FAQ)

Um moçambicano pode candidatar-se directamente ao edital da Amazónia Legal?

Não. O edital é estritamente institucional e exige que o proponente seja o dirigente de uma Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa (FAP) localizada na região da Amazónia Legal brasileira. Além disso, as bolsas no país são, em regra, restritas a cidadãos brasileiros.

Qual a alternativa da CAPES para estudantes estrangeiros?

O Programa de Estudantes – Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG) é a principal porta de entrada para estudantes estrangeiros, incluindo moçambicanos, que desejam realizar mestrado ou doutorado em instituições brasileiras com financiamento da CAPES.

6. Conclusão

Conclusão

O Programa Rede de Pesquisa e Desenvolvimento da Amazónia Legal é uma iniciativa de grande envergadura para o fortalecimento científico de uma das regiões mais biodiversas e socialmente complexas do planeta. A sua estrutura focada em redes institucionais garante que os recursos cheguem a diferentes universidades e centros de pesquisa da região.

Para a comunidade académica estrangeira, incluindo os investigadores de Moçambique, a mensagem é clara: enquanto não é possível candidatar-se directamente a este edital específico, as portas da cooperação académica brasileira continuam amplamente abertas através de programas desenhados especificamente para a mobilidade internacional, como o PEC-PG. Manter-se atento aos editais da Diretoria de Relações Internacionais da CAPES é o passo mais importante para a internacionalização da carreira académica.

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