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Bellahcene e Wafa Shahenda dominam o Campeonato Individual Africano de 2026 em Jwaneng

Xadrez Internacional

O argelino Bilel Bellahcene e a egípcia Wafa Shahenda conquistaram os títulos masculino e feminino do torneio mais importante do xadrez africano, disputado no Cresta Hotel de Jwaneng, Botswana, entre 19 e 25 de junho de 2026. Moçambique marcou presença com dez representantes entre as duas provas, com FM Donaldo Paiva a destacar-se com um 14.º lugar na prova Open.

Por Brevemito  |  26 de junho de 2026  |  Xadrez  |  Jwaneng, Botswana

Presidente da FIDE Arkady Dvorkovich e líderes de federações africanas na cerimónia de abertura do Campeonato Individual Africano de Xadrez 2026 em Jwaneng, Botswana
O Presidente da FIDE, Arkady Dvorkovich, inaugurou o torneio ao lado de líderes de várias federações africanas de xadrez.
59
Jogadores (Open)
44
Jogadoras (Feminino)
9
Rondas
2628
Rating mais alto (Open)
10
Representantes de Moçambique

O Campeonato Individual Africano de Xadrez de 2026 encerrou no dia 25 de junho com resultados que reforçam a liderança do Egipto e da Argélia no continente, ao mesmo tempo que revelam uma nova geração de talentos capazes de rivalizar com os favoritos. O torneio foi organizado pela Federação de Xadrez do Botswana, sob a direção de Modisane Thompson, e contou com a presença do Presidente da FIDE, Arkady Dvorkovich, na cerimónia de abertura.

Para Moçambique, o campeonato foi um teste importante. Dez jogadores moçambicanos participaram, cinco na prova Open e cinco na prova Feminina, com FM Donaldo Paiva a concluir na 14.ª posição da prova Open, um resultado que representa um avanço significativo para o xadrez nacional.

O que é o Campeonato Individual Africano

O African Individual Chess Championships é o torneio continental de maior prestígio para jogadores filiados em federações africanas da FIDE. Realizado anualmente, o campeonato serve como palco de qualificação para competições mundiais e como barómetro do nível do xadrez em todo o continente. A edição de 2026 foi a primeira a receber a presença direta do Presidente da FIDE, o que sublinha a crescente importância do evento no calendário internacional.

Jwaneng, a cidade anfitriã

Jwaneng é uma cidade do sul do Botswana, conhecida por albergar uma das maiores minas de diamantes do mundo. O torneio decorreu no Cresta Hotel, um dos principais estabelecimentos de acolhimento da região, que reuniu condições adequadas para a realização de uma competição de alto nível com partidas disputadas ao ritmo de 90 minutos para as primeiras 40 jogadas, mais 30 minutos para o resto da partida, com um incremento de 30 segundos por lance desde o início.

Formato da competição

Ambas as provas, a Open e a Feminina, foram disputadas em sistema suíço ao longo de nove rondas, com controlo de tempo padrão (Standard Rating). Os resultados contaram para o rating internacional da FIDE. O árbitro-chefe foi Stephen Ssemmango Kisuze e o árbitro adjunto foi Vincent Masole. Os árbitros auxiliares foram Isaac Babu Odiah e Fathi Abdulhafith Alqao.

Participantes

A prova Open reuniu 59 jogadores de vários países africanos, com um rating médio de 2123 pontos e uma média de idades de 34 anos. A prova Feminina contou com 44 participantes, com um rating médio de 1812 pontos e uma média de idades de 27 anos. Entre as nações representadas contavam-se Argélia, Botswana, Egipto, África do Sul, Angola, Quénia, Nigéria, Zâmbia, Zimbabwe, Namíbia, Cabo Verde, Moçambique, Camarões, Uganda, Costa do Marfim, Líbia, Malawi, Gana, Sudão e outros países africanos.

Representação selecionada por federação (ambas as provas)

País Jogadores Melhor resultado
Egipto (EGY)32.º lugar (Amin Bassem)
Argélia (ALG)31.º lugar (Bellahcene Bilel)
África do Sul (RSA)63.º lugar (Mhango Banele)
Moçambique (MOZ)5 Open + 5 Fem. = 1014.º Open (Paiva Donaldo) / 16.ª Fem. (Sitoe Cheila)
Angola (ANG)2 Open + 2 Fem. = 413.º Open (Silva David) / 6.ª Fem. (Paulo Jemima)
Cabo Verde (CPV)15.º lugar (Ortega Amarelle)
Zâmbia (ZAM)512.º lugar (Kayonde Andrew)
Namíbia (NAM)34.º lugar (Beukes Dante)

Os favoritos antes do início

Com o rating mais elevado do torneio (2628), o GM egípcio Bassem Amin entrava como claro favorito. O também Grande Mestre Bilel Bellahcene, da Argélia, com 2493 de rating, era o segundo candidato ao título. Na prova Feminina, as egípcias Wafa Shrook (2197) e Wafa Shahenda (2073), bem como a argelina Nassr Lina (2073), surgiam como as mais cotadas para o pódio.

A representação dos PALOP

Cinco países de língua oficial portuguesa estiveram presentes nesta edição do campeonato, o que representa um número expressivo para os PALOP no contexto do xadrez africano. Cabo Verde, Angola e Moçambique alinharam na prova Open; Angola e Moçambique também marcaram presença na prova Feminina.

Resultados PALOP em destaque

  • Cabo Verde: IM Ortega Amarelle Mariano, 5.º lugar (Open), 6,5 pontos em 9
  • Angola (Open): IM Silva David, 13.º lugar, 5,5 pontos em 9
  • Angola (Feminino): WFM Paulo Jemima, 6.º lugar, 6 pontos em 9 / WIM Caxita Esperanca, 14.º lugar, 5 pontos
  • Moçambique (Open): FM Paiva Donaldo, 14.º lugar, 5,5 pts / FM Andrade Ivan, 27.º, 4,5 pts / CM Abrantes Persson, 31.º, 4,5 pts / CM Jamal Hamid Harmon Gulamo, 40.º, 4 pts / FM Calicoca Wilton Inacio, 57.º, 2,5 pts
  • Moçambique (Feminino): WIM Vilhete Vania Fausto, 19.º lugar, 4,5 pts / WCM Sitoe Cheila Andre, 16.º, 5 pts / WCM Castro Neusa Aridas De, 33.º, 4 pts / Naira Sinoia, 38.º, 3 pts / Efentakis Theodora, 37.º, 3,5 pts

Moçambique em Jwaneng

FM Ivan Andrade, jogador moçambicano, durante uma partida no Campeonato Individual Africano de Xadrez 2026 em Jwaneng, Botswana
FM Ivan Andrade, representante de Moçambique, em ação durante o torneio. Terminou na 27.ª posição com 4,5 pontos.

A delegação moçambicana foi a mais numerosa dos PALOP na prova Open, com cinco jogadores a representar o país. O destaque foi FM Donaldo Paiva, que concluiu na 14.ª posição com 5,5 pontos em 9, desempenho que se traduz numa performance acima do seu rating de partida (2189) e num ganho de 10,8 pontos de rating. Paiva venceu confrontos relevantes ao longo da prova, nomeadamente ao derrotar o botsuanês Kaoma Micheal e, na ronda 8, ficou fora da luta pela frente após ceder ao egípcio George Samir David.

FM Ivan Andrade, o segundo melhor moçambicano na prova Open, terminou na 27.ª posição com 4,5 pontos. Apesar de uma partida de estreia promissora em que venceu com as peças brancas, Andrade não conseguiu manter a consistência nas últimas rondas, mas o seu desempenho traduziu-se num ganho de 12,8 pontos de rating.

CM Abrantes Persson foi a surpresa positiva entre os moçambicanos, ao terminar em 31.º lugar com 4,5 pontos partindo de um rating de partida de apenas 1972. O desempenho valeu-lhe um ganho de 20,8 pontos de rating. CM Jamal Hamid Harmon Gulamo ficou na 40.ª posição com 4 pontos e um ganho de 24,6 pontos de rating. FM Wilton Inácio Calicoca concluiu em 57.º lugar com 2,5 pontos.

Pontuação dos moçambicanos na prova Open (máximo 9 pontos)

FM Paiva Donaldo5,5 pts
FM Andrade Ivan4,5 pts
CM Abrantes Persson4,5 pts
CM Jamal Hamid H. Gulamo4,0 pts
FM Calicoca Wilton Inacio2,5 pts

Vania Vilhete e as moçambicanas na prova Feminina

WIM Vania Vilhete, representante de Moçambique, durante o Campeonato Individual Africano de Xadrez Feminino 2026 em Jwaneng, Botswana
WIM Vania Vilhete, a mais experiente das representantes moçambicanas, foi a melhor classificada entre os PALOP femininos fora de Angola.

Na prova Feminina, Moçambique alinhou com cinco jogadoras. WIM Vania Fausto Da T. Vilhete foi a mais bem classificada, terminando na 19.ª posição com 4,5 pontos, num desempenho que superou o seu rating de entrada (1837) e lhe valeu um ganho de rating expressivo, com um desempenho médio de 2013. Vania Vilhete somou vitórias importantes nas primeiras rondas, incluindo uma vitória sobre a favorita da competição na primeira partida, antes de ceder nos encontros finais contra adversárias de maior qualidade.

WCM Sitoe Cheila Andre foi a segunda melhor moçambicana, terminando na 16.ª posição com 5 pontos, num resultado que representa uma prestação sólida para alguém com rating de partida de 1721. As restantes moçambicanas, Naira Sinoia, Efentakis Theodora e WCM Castro Neusa Aridas De, somaram entre 3 e 4 pontos, resultados que refletem a diferença de nível face às participantes mais experientes.

Pontuação das moçambicanas na prova Feminina (máximo 9 pontos)

WCM Sitoe Cheila Andre5,0 pts
WIM Vilhete Vania4,5 pts
WCM Castro Neusa Aridas4,0 pts
Efentakis Theodora3,5 pts
Naira Sinoia3,0 pts

Hamid Jamal e a surpresa do torneio

CM Hamid Jamal Harmon Gulamo, jogador moçambicano, durante uma partida no Campeonato Individual Africano de Xadrez 2026 em Jwaneng, Botswana
CM Hamid Jamal Harmon Gulamo, representante de Moçambique, em ação durante o torneio em Jwaneng.

CM Hamid Jamal Harmon Gulamo, moçambicano com rating de entrada de 2055, terminou na 40.ª posição com 4 pontos, mas com um desempenho que surpreendeu pela qualidade de alguns resultados intercalares. O torneio confirmou que Hamid Jamal é um dos jovens talentos a acompanhar no xadrez moçambicano, tendo somado um ganho de rating de 24,6 pontos.

Momentos marcantes do campeonato

Ronda 6

Bellahcene venceu Amin Bassem (o jogador mais bem classificado do torneio) na partida mais aguardada da competição, invertendo a hierarquia e assumindo a liderança isolada da prova Open.

Ronda 7

FM Mhango Banele (África do Sul) surpreendeu ao bater IM Belouadah Saad (Argélia), tornando-se o principal perseguidor do duo de topo. IM Kayonde Andrew (Zâmbia) eliminou GM Solomon Kenneth Terence (África do Sul).

Ronda 8

Bellahcene confirmou a liderança ao vencer IM Levitan Caleb Levi (África do Sul). Amin Bassem respondeu com uma vitória sobre IM George Samir David. FM Mhango Banele bateu IM Belouadah Saad, consolidando o seu 3.º lugar.

Cabo Verde em destaque

IM Ortega Amarelle Mariano, representando Cabo Verde, concluiu em 5.º lugar com 6,5 pontos, colocando o país lusófono entre os melhores da prova, superando nomes como GM Solomon e IM Chumfwa no seu percurso.

Resultados de rondas-chave (Open)

Ronda 6 (23 jun, 09h00) — O duelo decisivo

BrancasResultadoNegras
GM Bellahcene Bilel (ALG) 1 – 0 GM Amin Bassem (EGY)
IM George Samir David (EGY) 1 – 0 FM Mhango Banele (RSA)
FM Mwale Joseph (MAW) ½ – ½ IM Levitan Caleb Levi (RSA)
FM Paiva Donaldo (MOZ) 1 – 0 Kaoma Micheal (ZAM)

Classificação final após 9 rondas (Top 16, Open)

#NomePaísRatingPts.Rtg+/-
1 GM Bellahcene Bilel ALG 2493 7,5 +9,1
2 GM Amin Bassem EGY 2628 7,5 -2,9
3 FM Mhango Banele RSA 2268 6,5 +37,2
4 IM Beukes Dante M NAM 2288 6,5 +22,6
5 IM Ortega Amarelle Mariano CPV 2382 6,5 -3,3
6 GM Solomon Kenneth Terence RSA 2277 6,0 +14,7
7 IM Levitan Caleb Levi (U16) RSA 2295 6,0 +20,8
8 FM Mwale Joseph MAW 2303 6,0 +8,6
9 IM Belouadah Saad ALG 2320 6,0 0
10 IM George Samir David (U16) EGY 2380 5,5 +2,6
13 IM Silva David ANG 2278 5,5 -3,4
14 FM Paiva Donaldo MOZ 2189 5,5 +10,8
27 FM Andrade Ivan MOZ 2150 4,5 +12,8

Classificação final da prova Feminina (Top 20)

#NomePaísRatingPts.
1 WGM Wafa Shahenda EGY 2073 7,5
2 WGM Wafa Shrook EGY 2197 7,5
3 WFM Mongeli Sasha KEN 1892 6,5
4 WCM Nel Hayley RSA 1861 6,0
5 WFM Boshoma Chisomo RSA 1847 6,0
6 WFM Paulo Jemima ANG 1970 6,0
14 WIM Caxita Esperanca ANG 1968 5,0
16 WCM Sitoe Cheila Andre MOZ 1721 5,0
19 WIM Vilhete Vania Fausto MOZ 1837 4,5

Pódio da prova Open

🥈
2.º Lugar
GM Amin Bassem
Egipto
7,5 pts
Rating 2628 | TB1: 2291
🏆
Campeão Africano
GM Bellahcene Bilel
Argélia
7,5 pts
Rating 2493 | TB1: 2327
🥉
3.º Lugar
FM Mhango Banele
África do Sul
6,5 pts
Rating 2268 | +37,2 Rtg

Pódio da prova Feminina

🥈
2.ª Lugar
WGM Wafa Shrook
Egipto
7,5 pts
Rating 2197 | TB1: 1916
🏆
Campeã Africana
WGM Wafa Shahenda
Egipto
7,5 pts
Rating 2073 | TB1: 2006
🥉
3.ª Lugar
WFM Mongeli Sasha
Quénia
6,5 pts
Rating 1892 | +37 Rtg

O impacto para o xadrez africano

A presença do Presidente da FIDE, Arkady Dvorkovich, na cerimónia de abertura deste campeonato não é um detalhe menor. Significa que a organização máxima do xadrez mundial reconhece o potencial do continente africano e está disposta a apostar no seu desenvolvimento. O torneio de 2026 confirmou que o nível médio dos participantes continua a subir, com um rating médio de 2123 na prova Open.

A vitória de Bellahcene sobre Amin Bassem na ronda 6 é, por si só, um indicador do equilíbrio competitivo que caracterizou esta edição. Bassem entrou como o mais cotado, mas foi o argelino a ter a regularidade necessária para vencer o torneio pelo desempate (TB1: 2327 contra 2291). Este critério de desempate, que mede a qualidade média dos adversários, premiou Bellahcene por ter jogado consistentemente bem contra oponentes de maior dificuldade.

A presença expressiva dos PALOP, com Angola, Moçambique e Cabo Verde a contribuir com representações dignas, mostra que a comunidade lusófona africana está a ganhar peso no panorama do xadrez continental. O 5.º lugar de Ortega Amarelle por Cabo Verde é particularmente relevante, considerando que representa um país com recursos limitados no xadrez organizado.

Curiosidades do torneio

  • Na prova Open, dois jovens Sub-16 terminaram entre os 11 primeiros: IM Levitan Caleb Levi (7.º, África do Sul) e IM George Samir David (10.º, Egipto), o que é um sinal claro do desenvolvimento do xadrez jovem em África.
  • WFM Mongeli Sasha, do Quénia, entrou na ronda 1 com um bye (ausência da adversária George Anny do Malawi, que não compareceu à prova), mas mesmo assim terminou em 3.º lugar na prova Feminina com 6,5 pontos.
  • Bellahcene e Amin ficaram empatados em pontos (7,5) na prova Open, mas o argelino ganhou pelo critério TB1 (Average Rating of Opponents), demonstrando que o caminho para a vitória passou por enfrentar adversários de maior nível médio.
  • Na prova Feminina, as egípcias dominaram de forma absoluta, colocando dois títulos (1.º e 2.º) com a mesma pontuação, separadas também pelo critério de desempate TB1.
  • CM Abrantes Persson, de Moçambique, foi um dos jogadores com maior ganho de rating no torneio Open (+20,8 pontos), a par de FM Mhango Banele (+37,2) e FM Ndahangwapo Heskiel (+33 pontos).

Perguntas frequentes

Quem ganhou o Campeonato Individual Africano de Xadrez de 2026?
Na prova Open, o título foi para o argelino GM Bilel Bellahcene, que terminou com 7,5 pontos em 9 rondas, empatado com GM Bassem Amin (Egipto), mas com melhor desempate (TB1: 2327). Na prova Feminina, a campeã foi WGM Wafa Shahenda, do Egipto, também com 7,5 pontos, superando WGM Wafa Shrook (TB1: 2006 contra 1916).
Onde decorreu o torneio?
O campeonato foi realizado no Cresta Hotel, em Jwaneng, Botswana, entre 19 e 25 de junho de 2026, organizado pela Federação de Xadrez do Botswana.
Qual foi o melhor resultado de Moçambique?
Na prova Open, FM Donaldo Paiva terminou em 14.º lugar com 5,5 pontos, o melhor resultado moçambicano. Na prova Feminina, WCM Sitoe Cheila Andre ficou em 16.º lugar com 5 pontos, seguida de WIM Vania Vilhete em 19.º com 4,5 pontos.
Como ficou Cabo Verde no torneio?
IM Mariano Ortega Amarelle foi o único representante cabo-verdiano e concluiu em 5.º lugar com 6,5 pontos, um resultado de grande mérito para o xadrez dos PALOP no continente africano.
O campeonato africano conta para o rating FIDE?
Sim. O torneio foi disputado com controlo de tempo Standard e os resultados contaram para o rating internacional da FIDE, com o coeficiente K a variar entre 10 e 40 conforme o historial de cada jogador.
Como foi a representação de Angola?
Angola esteve representada por dois jogadores na prova Open (IM Silva David, 13.º, e CM Cambando Jose, 39.º) e duas na prova Feminina (WFM Paulo Jemima, 6.ª, com 6 pontos, e WIM Caxita Esperanca, 14.ª, com 5 pontos). A prestação de Paulo Jemima foi particularmente notável no contexto do xadrez feminino lusófono africano.

O Campeonato Individual Africano de Xadrez de 2026 foi um torneio que confirmou hierarquias, criou surpresas e deixou sinais encorajadores para o futuro do desporto no continente. Para Moçambique, a participação de cinco jogadores em cada prova, com resultados que geraram ganhos de rating para a maioria, representa um passo concreto no desenvolvimento do xadrez nacional.

Donaldo Paiva ficou a apenas três posições do top 10. Vania Vilhete superou o seu nível de entrada em mais de 170 pontos de desempenho. Sitoe Cheila Andre conquistou 5 pontos contra adversárias muito mais bem classificadas. Estes não são apenas números: são indicadores de que o xadrez moçambicano tem jogadores com capacidade de crescer no panorama africano.

O 5.º lugar de Cabo Verde confirma que os PALOP podem aspirar a posições de relevo em África. Angola e Moçambique, juntos, contribuíram com sete representantes entre as duas provas, um número que nenhum outro grupo linguístico do continente igualou. O próximo desafio é transformar esta presença em pódios. A base está a ser construída.

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