Cabotagem em Moçambique: o transporte marítimo que garante o abastecimento nacional

A cabotagem é uma modalidade de transporte marítimo (ou fluvial) realizada entre portos do mesmo país, sem atravessar fronteiras internacionais. Em Moçambique, esta forma de transporte tem vindo a ganhar destaque como solução estratégica para a logística nacional, sobretudo em momentos de crise no transporte rodoviário.

De forma simples, a cabotagem consiste na navegação “de costa a costa”. Quando um navio transporta mercadorias do Porto de Maputo para os portos de Gaza, Inhambane, Beira ou Nacala, está a operar em regime de cabotagem.

O que é cabotagem e como funciona?

A cabotagem permite o transporte interno de mercadorias utilizando o mar como principal via de circulação. É particularmente indicada para países com longas costas marítimas, como Moçambique, pois possibilita a deslocação de grandes volumes de carga com menor custo e maior eficiência energética.

Este tipo de transporte é comum para:

  • Produtos alimentares e bens de primeira necessidade
  • Combustíveis e derivados
  • Materiais de construção
  • Carga contentorizada

Principais vantagens da cabotagem

A aposta na cabotagem traz benefícios económicos, sociais e ambientais:

  • Redução dos custos logísticos em longas distâncias
  • Menor dependência das estradas, frequentemente afectadas por cheias
  • Diminuição do desgaste da EN1 e outras vias nacionais
  • Menores emissões de CO₂ por tonelada transportada
  • Maior segurança no transporte de mercadorias

Caso real: cabotagem garante abastecimento em Gaza e Inhambane

Um exemplo prático da importância da cabotagem em Moçambique foi anunciado pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, com o arranque do serviço de cabotagem marítima a partir da cidade de Maputo para as províncias de Gaza e Inhambane.

A decisão foi tomada na sequência da intransitabilidade da Estrada Nacional Número Um (N1), causada por danos severos nas províncias de Maputo e Gaza. A interrupção do tráfego rodoviário ameaçava provocar a ruptura de “stock” de produtos básicos e de primeira necessidade.

Com a activação da cabotagem, navios passaram a transportar alimentos e outros bens essenciais, garantindo o reabastecimento dos mercados locais e evitando uma crise alimentar. Este episódio demonstra como a cabotagem funciona como alternativa segura e eficaz em situações de emergência logística.

O potencial estratégico da cabotagem em Moçambique

Moçambique possui cerca de 2 700 km de costa e vários portos estratégicos, entre os quais:

  • Porto de Maputo
  • Porto da Beira
  • Porto de Nacala
  • Porto de Pemba

Apesar deste enorme potencial, a cabotagem ainda é pouco explorada. Entre os principais desafios encontram-se os custos portuários, limitações infraestruturais e a forte dependência histórica do transporte rodoviário.

Ainda assim, eventos como os danos recorrentes na N1 demonstram que a cabotagem deve ser encarada como parte integrante da segurança logística nacional.

Cabotagem como solução para o futuro

Num contexto de mudanças climáticas, cheias frequentes e crescimento populacional, a cabotagem surge como uma solução moderna, sustentável e resiliente. Investir nesta modalidade significa fortalecer a economia, garantir o abastecimento e reduzir a vulnerabilidade do país a crises de transporte.

A cabotagem em Moçambique é mais do que transporte marítimo interno. É uma ferramenta de desenvolvimento económico, integração territorial e garantia do abastecimento de bens essenciais. O exemplo de Gaza e Inhambane mostra que, quando bem utilizada, a cabotagem pode assegurar estabilidade mesmo em momentos críticos.

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