O dia em que Moçambique quase mudou a história da aviação africana
“E se Moçambique tivesse sido hoje o principal hub aéreo da África Austral?”
Um passado pouco conhecido
Antes da independência, Moçambique ocupava uma posição relevante nas rotas aéreas da África Austral. A sua localização geográfica, entre o interior do continente e o Oceano Índico, tornava o território particularmente importante numa época em que as aeronaves dependiam de escalas técnicas frequentes.
Durante as décadas de 1950 e 1960, o então Aeroporto de Lourenço Marques (actual Aeroporto Internacional de Maputo) era considerado moderno para os padrões regionais. Servia como ponto de reabastecimento, manutenção ligeira e troca de tripulações em voos que ligavam a Europa ao sul e leste de África.
O Legado da DETA e a Modernidade Precoce

Poucos países africanos tinham, nos anos 50 e 60, uma companhia aérea tão estruturada quanto a DETA (Direcção de Exploração de Transportes Aéreos), a antecessora da LAM. Moçambique foi pioneiro ao operar frotas modernas (como os Fokker F27 e os Boeing 737-200 logo no início da era do jato) e ao possuir uma rede doméstica que cobria quase todas as capitais provinciais, algo raro para a época.
O que fez Moçambique perder espaço
A partir de meados da década de 1970, vários factores contribuíram para a perda deste protagonismo. A independência, seguida de instabilidade política, dificuldades económicas e conflito armado, afectou directamente as infra-estruturas e a capacidade de atrair tráfego aéreo internacional.
A aviação civil exige estabilidade, investimento contínuo e formação técnica especializada, condições difíceis de manter naquele contexto histórico.
Porque este tema volta a ser actual
Hoje, o potencial permanece, Moçambique continua estrategicamente posicionado, com ligação natural aos países do interior como Zimbabwe, Malawi e Zâmbia, e acesso directo ao Oceano Índico. O clima favorável e a crescente procura por transporte aéreo, turismo e carga colocam novamente a aviação no centro do debate sobre desenvolvimento.
Mais do que comprar aviões, o desafio está na formação de técnicos, na modernização da gestão aeroportuária e na criação de políticas sustentáveis para o sector.
Sabia que?
O Aeroporto de Lourenço Marques foi, durante vários anos, uma escala regular em rotas aéreas internacionais na África Austral.
A história mostra que Moçambique já teve condições para desempenhar um papel relevante na aviação regional. O futuro dependerá da capacidade de transformar localização geográfica em conhecimento, investimento e oportunidades para os jovens.
E você, acredita que Moçambique pode voltar a ter um papel estratégico na aviação africana?
Que outras histórias esquecidas devemos trazer no Brevemito?

