As palavras que você não pode dizer na internet
Talvez você já tenha notado: em comentários, vídeos e publicações nas redes sociais, certas palavras simplesmente desaparecem, ou são substituídas por versões estranhas, incompletas ou infantis. “M0rt3”, “unalive”, “s*icídio”, “p@ndemia”, “c0vid”. Para muitos utilizadores, isso soa ridículo. Para outros, é uma questão de sobrevivência digital.
A prática tem nome: algospeak.
O que é algospeak?
Algospeak é o termo usado para descrever uma linguagem codificada criada pelos próprios utilizadores da internet. A ideia é simples: evitar palavras que possam ativar filtros automáticos, reduzir o alcance de uma publicação ou até levar à remoção do conteúdo.
Essa linguagem não surge por moda, mas por adaptação. À medida que as plataformas digitais passaram a depender cada vez mais de algoritmos para moderar conteúdos, os utilizadores aprenderam, por tentativa e erro, que certas palavras trazem consequências.
O resultado é uma espécie de dialeto digital global, compreendido sobretudo por quem vive intensamente nas redes sociais.
Mas as redes sociais não negam tudo isso?
Sim. As grandes empresas de tecnologia insistem que a ideia de “palavras proibidas” é um mito.
“O YouTube não tem uma lista de palavras restritas ou proibidas. O contexto é fundamental, e as palavras podem ter diferentes intenções e significados.”
Declarações semelhantes são feitas pela Meta (Facebook e Instagram) e pelo TikTok. Todas afirmam que não penalizam conteúdos apenas com base em palavras isoladas.
Na teoria, faz sentido. Na prática, a história é mais complicada.
A verdade incómoda sobre os algoritmos
As plataformas podem não ter uma lista oficial de palavras proibidas, mas utilizam sistemas automatizados treinados para identificar temas sensíveis: violência, sexualidade, política, saúde mental, drogas, conflitos armados.
Em termos simples: não é que a palavra esteja proibida, é que ela aumenta o risco de o conteúdo ser considerado problemático.
Então, é mito ou realidade?
A resposta curta: é os dois.
No fim, a pergunta mais importante não é quais palavras não podemos dizer na internet, mas quem decide os limites do que pode ser dito.
E essa decisão, cada vez mais, não é humana.
Recomendação: Se é apaixonado por estratégia, lógica e pensamento crítico, explore materiais de xadrez disponíveis online.
